Ainda não li a proposta de lei do arrendamento.
O que sei é de ter vagamente ouvido a ministra a explicar o regime e do que vem sendo dito pelos jornais. Fala-se numa média entre as propostas de iniciativa do senhorio e a do inquilino, sendo que se este nenhuma apresentar vale a renda actual.
Tendo por base este pressuposto e o pouco que conheço da situação de alguns senhorios, pus-me a fazer umas contas de mercearia.
Primeiro pensei que há senhorios com casas num prédio em que dum lado há rendas baixas e do outro há rendas altas. Casas exactamente iguais, em que paradoxalmente o inquilino que paga renda alta são um casal de jovens com rendimentos do trabalho relativamente exíguos e o da renda baixa com rendimentos acima da média.
Então pensei: seria natural que, por uma questão de igualdade, ambos os inquilinos pagassem a mesma renda. Seria até aceitável que a renda alta fosse redimensionada para baixo uma vez que, por força do regime vinculistico e pela impossibilidade prática de despejo, a mesma estará inflacionada.
Mas não. Este critério de repartição igualitária nunca será alcançado. O senhorio adianta uma proposta que é afinal pelo menos o que o inquilino de renda alta paga. O inquilino oportunista oferece uma proposta mais baixa ou até nenhuma.
E depois chega-se a uma média que é afinal um valor sempre inferior ao do outro inquilino nas mesmas condições. Como sempre uma má lei serve a injustiça, e neste caso, como a antiga aliás, a transferência de rendimentos dos que trabalham e trabalharam, dos que pouparam.
O que sei é de ter vagamente ouvido a ministra a explicar o regime e do que vem sendo dito pelos jornais. Fala-se numa média entre as propostas de iniciativa do senhorio e a do inquilino, sendo que se este nenhuma apresentar vale a renda actual.
Tendo por base este pressuposto e o pouco que conheço da situação de alguns senhorios, pus-me a fazer umas contas de mercearia.
Primeiro pensei que há senhorios com casas num prédio em que dum lado há rendas baixas e do outro há rendas altas. Casas exactamente iguais, em que paradoxalmente o inquilino que paga renda alta são um casal de jovens com rendimentos do trabalho relativamente exíguos e o da renda baixa com rendimentos acima da média.
Então pensei: seria natural que, por uma questão de igualdade, ambos os inquilinos pagassem a mesma renda. Seria até aceitável que a renda alta fosse redimensionada para baixo uma vez que, por força do regime vinculistico e pela impossibilidade prática de despejo, a mesma estará inflacionada.
Mas não. Este critério de repartição igualitária nunca será alcançado. O senhorio adianta uma proposta que é afinal pelo menos o que o inquilino de renda alta paga. O inquilino oportunista oferece uma proposta mais baixa ou até nenhuma.
E depois chega-se a uma média que é afinal um valor sempre inferior ao do outro inquilino nas mesmas condições. Como sempre uma má lei serve a injustiça, e neste caso, como a antiga aliás, a transferência de rendimentos dos que trabalham e trabalharam, dos que pouparam.
Depois os idosos com mais de 65 anos. Estão todos no mesmo barco? Por exemplo aqueles que possuem rendimentos pensionistas de milhares de euros, muitas vezes para financiar a prole indolente.
Penso que não. E depois os tais 60 meses, correspondente a 5 anos de rendas com valor de proposta actual. Façam-se as contas de mercearia e para uma renda de 400€ estamos a falar de 24.000,00€ de indemnização.
Este termo "indemnização" adquire à luz desta lei uma tonalidade até algo ridícula, na medida em que durante décadas uma larga camada da população (não são só velhos) viveu à custa das poupanças de outra, tudo para salvaguardar o Partido de Estado (cit. Medina Carreira), que nos levou afinal ao estado em que nos encontramos.
Onde está a indemnização para os senhorios, que se substituíram ao Estado, pelo menos durante quatro décadas.
Este termo "indemnização" adquire à luz desta lei uma tonalidade até algo ridícula, na medida em que durante décadas uma larga camada da população (não são só velhos) viveu à custa das poupanças de outra, tudo para salvaguardar o Partido de Estado (cit. Medina Carreira), que nos levou afinal ao estado em que nos encontramos.
Onde está a indemnização para os senhorios, que se substituíram ao Estado, pelo menos durante quatro décadas.
Cuidados com higiene
muito bem
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