Os Títulos não servem para nada ou não deviam

Quando ainda era miúdo e mesmo depois, dizia-me o meu pai que nunca "esnobasse" (acho que era este o termo) aqueles que muitas vezes, estupidamente e na nossa arrogância, pensamos serem inferiores. 

O meu pai tinha essa coisa estranha de cultivar a arte dos outros e, na mesma cultura, terei sido também apanhado por esse hábito. 

Admirar por exemplo o trabalho de um lavrador. Ou de um carpinteiro. Dum pescador. Dum escritor ou de um artista. Todos, pensava ele, e penso eu, têm uma espécie de sabedoria oculta, de gestão dos elementos, das correntes, das atmosferas, que o surpreendia e surpreende-me a mim. 



O Ministro Álvaro parece-me ser dessa corrente. Acredita que o saber, antes de estar em livro ou se aprender nas faculdades, é uma virtude intima. 

Há mestria em todo o lado, até a varrer uma rua ou a limpar um caixote do lixo. Há um saber, diria se calhar, popular, que não pode nem deve ser desrespeitado. 

As pessoas como o meu pai que acreditam neste conhecimento experiencial, não acreditam em títulos ou nobilismos. 

Esses soam-lhes aos ouvidos até como algo redutor e no limite como algo absurdo. 

Essas pessoas gostam de ser tratadas pelo seu nome, de preferência, o próprio, porque se numa pessoa houver um "título" oculto, e há sempre, ele mesmo se transparece sem necessitar do apoio da palavra. 

Obrigado, Álvaro, por estares cá em Portugal a ajudar-nos, tendo a certeza que vamos dar a volta a isto.
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