Aonde estão os sindicatos dos pobres

Foi assinado o acordo de concertação social. 

Governo, trabalhadores e patrões. Imagino o quanto terá custado a alguns sindicatos terem-no subscrito, ao verem muitas das conquistas alcançadas com o 25 de Abril, relegadas agora por força das circunstâncias e do prenúncio de alguma miséria social, que pensando bem se resumem sempre a falta de dinheiro. 

Ocorre-me porém que tenha sido a primeira vez que o centro das atenções se tenha focado para aqueles que não estão a maioria das vezes à mesa das negociações. 

Refiro-me aos desempregados. 


Para quem está de fora e olha para a sociedade, nesta perspectiva sempre redutora (e perigosa) da visão apenas dos jornais e televisões, há sempre alguém que negoceia em favor dos seus próprios interesses. 

Imensas franjas (já não tão pequenas quanto isso) não têm voz. Não há sindicatos ou associações de desempregados ou excluídos. 

A lógica e a natureza das coisas parece contradizer essa possibilidade de organização, digamos estatutária e ordeira. 

Estas associam-se sim, mas de forma imprevisível e brutal. Talvez agora se tenha finalmente chegado à conclusão que estamos todos no mesmo barco, e que haverá que fazer cedências umas vezes, e ser-se implacável, outras, principalmente no que toca aos interesses instalados.
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