Salário Mínimo Nacional continua baixo?

O Banco Central Europeu acabou de dizer que, nos países com assistência financeira, seria necessário, presumo para combater o desemprego e fomentar a economia, descer os salários mínimos nacionais dos respectivos países. 

Só uma pessoa absolutamente insensível não acharia que o salário mínimo nacional em Portugal é demasiado baixo e que, sinceramente, viver com 485,00 euros por mês neste país é uma violência. 

Baixar tal valor levaria certamente a que muitos portugueses começassem a pensar se vale a pena trabalhar. 

Mas pensemos melhor. O salário mínimo nacional é um referencial para todos os salários, pelo menos aqueles do cidadão médio (não aqueles que têm salários absurdos e escandalosos cuja referência é quanto muito de carácter internacional com empresas do mesmo ramo). 

Por outro lado, o salário mínimo é um conceito relativo na medida em que tem implícito uma ideia de competitividade. 


E o relativismo coloca-se não internamente mas face ás diversas economias que competem com Portugal. No quadro actual de globalização e autêntica guerrilha internacional pela atracção de investimentos e produção ao melhor preço é óbvio que o custo do trabalho apresenta-se como determinante para o sucesso de uma economia, pelo menos como a portuguesa. 

Num pais como Portugal um salário mínimo baixo não seria certamente um problema se apenas uma pequena percentagem da população auferisse esse rendimento. 

Ou seja, tomado como referencial nenhum óbice haveria se a sociedade produtora fosse afinal bastante evoluída e apenas 10% da população recebesse o salário mínimo nacional. 

O que não me parece ser o caso de Portugal. Dai que tal questão me leve a uma outra. 

O problema não é o salário mínimo nacional ser baixo, o problema mesmo é a maioria dos portugueses não terem qualificações que lhes permitam receber mais ou não existirem unidades produtivas predispostas a produzirem bens de maior valor acrescentado e logo exigindo melhor formação para remunerar melhor o factor trabalho. 

Haverá portanto países com uma literacia evoluída que olharão a intenção do BCE com um sorriso, na medida em que apenas franjas da população seriam afectadas por tal medida. 

Outra reflexão que me ocorre e porventura deveria ser um desígnio nacional era conseguir que numa década a percentagem de pessoas a receber o SMN baixasse significativamente. 

Tal seria um bom sinal de evolução das condições de vida a nível da sociedade em geral e um incentivo para que todos procurassem através da educação (séria) uma melhoria dessas condições.
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