O que é o Serviço Publico de televisão

De tempos a tempos regressa ao nosso quotidiano a famosa discussão sobre o serviço público de televisão. 

Deparamo-nos sempre com uma interessante discussão entre intelectuais ou interessados (económicos) no tema, circunscrita portanto a uma elite clubista e muito selecta, preocupada, pelo que é dado ver, com o cultivo e boa preparação da nossa alminha.  

Só que ninguém parece saber muito bem em que consiste tal figura - serviço público de televisão - havendo sempre algum prurido em defini-lo com contornos perscrutáveis ao cidadão comum. 

Perguntei a minha mãe e ás suas migas velhotas o que entendiam por tal conceito. 

Responderam-me que seria bom que fossem as telenovelas brasileiras e portuguesas em dose suficiente e a horas. 


Disse-lhes que não era provável que isso fosse serviço publico de televisão porque também davam nas comerciais. Perguntei a um primo que tem a mania recente que é cantor e ele disse-me que concerteza seriam programas como a operação triunfo ou o a tua cara não me é estranha. 

Pelas mesmas razões lhe disse que também não o seria. Pensei no futebol nacional, mas este, pelo menos este ano, não passa em canal aberto, portanto não pode ser serviço público de televisão. 

Ocorreu-me aqueles programas como sociedade civil, ou portugal regional e tantos outros, só que são tão bons e têm tanta qualidade que, sinceramente, não vejo que possam ser serviço publico de televisão, precisamente porque sendo fantásticos, têm certamente ouvintes e, neste caso, uma natureza comercial. 

O que resta? 

Restam aquelas manifestações dos partidos e de movimentos estranhos (diga-se, com péssimas produções e candidatos mal vestidos) quando da proximidade de eleições. 

O tal tempo de antena. Mas até isto, se a memória não me falha é obrigatório que passe em todos os canais nesses períodos. Portanto aqui chegado só posso chegar à conclusão que o conceito de serviço público se existe (ou se não é uma mera ilusão para entretenimento de uns quantos produtores de discurso) tem uma abrangência residual naquilo que é a real vivência televisiva dos pobres cidadãos. 

Confundir-se-à serviço público com públicos, com targets ou com tipos de clientela? 

Os tais intelectuais, só esses, que vêm neste tema (vazio) matéria de discussão e debate, que se apoiam numa constituição (que quando feita se preocupou demais com o desenvolvimento cultural dos portugueses e ao que estes nos últimos anos não ligaram coisa nenhuma), esforçam-se muito para densificar tal conceito num conjunto de manifestações culturais e ideias (que mesmo sendo boas, belas e importantes), assemelhar-se-ão sempre ao remédio amargo que se dá forçadamente a uma criança. 

Faz bem mas não se gosta. 

A malta nacional não mudou muito deste então, com muito ou pouco serviço público de televisão. Fátima está mais forte que nunca, futebol nem se fala (estranho que ninguém se tenha manifestado com a falta de serviço público de futebol de borla e em canal aberto), as telenovelas, as sardinhas, os touros, as bifanas e os couratos, a Micaela, o Toy, e o Emanuel. 

Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Viva portanto o serviço público de televisão que nos custa 140 milhões todos os anos (uma taxa mesmo para aqueles que detestam televisão), com a certeza de que apesar de os pagarmos não sabemos muito bem porquê.
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