Salário mínimo nacional e CGTP

Os meus conhecimentos de economia são os dos comuns dos portugueses; de tal modo nos entra por casa a dentro conceitos como macro-economia, dívida soberana, défice público, défice externo, memorando, que a pouco e pouco, pela força da repetição, lá vamos aprendendo qualquer coisinha. 

Essa qualquer coisinha, dá pelo menos para sermos opiniosos, que constitui, penso eu, o actual desporto nacional, depois da praia, das tolerâncias de ponto, do carnaval e da fuga aos impostos. 

Todos os portugueses, quais treinadores de bancada, têm sempre qualquer coisa para dizer, nem que seja para vituperar os políticos, apelidando-os de ladrões. 

Ladrões, nunca chamei, acho mal, fico-me por referenciá-los como interesseiros, interesseiros ambiciosos, já que, mesmo na minha humilde ingenuidade, não vislumbro qualidades altruísticas na maioria destas pessoas. 

Mas falemos do salário mínimo nacional e da actual pretensão da CGTP.  

Não nego que viver nos dias de hoje com um SMN tendo em atenção aos preços como eles estão, é um verdadeiro milagre de gestão. Ora aí está o que muitos gestores e economistas poderiam fazer quando saem das faculdades, viver durante seis meses com 485,00€ e sem a mamã e o papá. 

Mas isso é matéria para outro artigo. O problema do SMN, parece-me, na minha humilde ignorância, é a relação de competividade do mesmo face aos nossos compradores externos. 

Aumentar SMN neste momento resultaria numa diminuição de compras do exterior, logo numa diminuição de exportações, logo num aumento de desemprego. 

Desemprego precisamente nas pessoas que menos ganham, não se manifestam no Terreiro do Paço, e que imagino estarão neste preciso momento a rezar para que não ocorram ainda maiores factores de instabilidade. 

Pessoas, que no intimo do seu conhecimento do que têm sido os últimos anos, ou mesmo décadas, de sacrifício e sofrimento,  apenas almejam ter o seu emprego, o seu trabalho, mesmo que mal pago. 

Ora se há uma recessão junto às nossas fronteiras externas, com países a lutar por factores de competividade, mesmo admitindo como disse que o SMN é desumano, pergunto se não seria ainda mais desumano destruir o que há, mesmo sendo pouco. 

Vindo tal proposta da CGTP, organização pré-determinada à defesa dos trabalhadores, parece-me uma infantilidade, uma insensibilidade ou, pior, uma mera provocação. 

Os portugueses têm que lutar por aumento de rendimento disponível. E esse deve ser conseguido, penso eu, internamente, na melhoria da condição fiscal e na melhoria do acesso aos serviços públicos. 

Melhor saúde, melhor ensino, permitiram a um povo certamente conseguir um nível social mais elevado onde rendimentos de um SMN têm e devem de ser necessárimente residuais.

Parecerá uma utopia, mas é-o porque somos ainda o povo da Europa com o maior nível de analfabetismo, já não referir outros tipos de insuficiências.
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