Trabalhadores e Direitos adquiridos dos reformados

Fala-se muito em direitos adquiridos e de como, com a crise actual, os mesmos arriscam-se ser reduzidos a pó. 

Sempre tive muito medo de eufemismos ou de conceitos que todos pensam compreender, mas que, na verdade, nenhuma certeza se tem de que seja entendido da mesma maneira por todos. Quando se trata de certos assuntos, como o dinheiro que poupamos para a nossa reforma, prefiro linguagem popular. 

É mais clara e não oferece grandes dúvidas. 



Pois bem o que mais me assusta e penso que assustará muitos portugueses é pensar que durante anos e anos descontaremos para a nossa reforma e no fim pouco ou na receberemos daquilo que nos foi paulatinamente ano após ano retirado do nosso salário. 

É certo que lá nos vão mentalizando e baixando as expectativas de que é provável, e o melhor é irmo-nos habituando, de que pouco ou na receberemos. 

E é isto que me deixa perplexo e até irritado. Sentir que estou a ser roubado, quando políticos estão perfeitamente conscientes de que me estão a enganar. 

Como resolver este dilema. 

Estamos a descontar para pagar reformas dos actuais pensionistas e antigos trabalhadores. Como os direitos adquiridos são cada vez mais um conceito vazio de sentido, sentimos também nós cada vez mais renitência em sustentar essas reformas. 

Antecipo que os nossos descendentes e futuros trabalhadores serão certamente mais espertos que nós e acharão que não têm responsabilidade nenhuma por nós, nem de terem sido assumidos compromissos em seu nome, quando muitos nem sequer andavam ainda por cá.
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