Prova dos nove - Politico gera desperdício

Há dias ocorreu-me fazer o seguinte exercício. 

Restringindo-me ao que damos conta quando lemos o Diário da República, do trabalho dos deputados e governos, iria deduzir as matérias que não tenham directa ou indirectamente a ver com eles próprios, ou seja, deduzir a legislação que só pelo facto de os termos acaba por ser produzida. 

Apesar de por obrigação de profissão ter de ler aquele diário quase todos os dias e de, também por dever profissional, me ver obrigada a acompanhar atenta, tudo o que se vai produzindo, este exercício é um exercício de memória e de impressões que é afinal o que chega ao cidadão comum. 


O cidadão comum, em regra, assiste de camarote, como se estivesse num filme, ao que estes protagonistas do politico vão fazendo e dizendo, a maioria das vezes com um sentimento de resignação e impotência, como se não houvesse opção - provavelmente não haverá - e estivessem condenados a tê-los e a aturá-los. 

Pois bem esse meu exercício ocioso foi verificar que a maioria das discussões legislativas, algumas delas as tais reformas estruturais, se prendem ou estão dirigidas precisamente ao facto de termos políticos na arena. 

Se eles não existissem tal discussão seria uma pura inutilidade e por decorrência verificar-se-ia a inutilidade desses mesmos protagonistas. Quanto dinheiro se pouparia limpando do espectro tanta gente inútil. 

Veja-se a discussão das reformas do direito penal e processual penal. O enriquecimento ilegítimo e a limitação de testemunhas em julgamento. Tudo por causa de políticos ladrões e corruptos. Não houvesse políticos (pelos menos os ladrões e corruptos) e não se estaria a gastar tanto latim com este assunto. 

Veja-se a reforma autárquica. Lá está mais trabalho só pelo facto de termos senhores que devido serem cão a um osso obrigam a tanta exigência legislativa.

O arrendamento, bem indirectamente estamos a discuti-lo por inabilidade e cobardia dos ditos que ao longo de décadas assistiram impávidos à hecatombe urbanística que é o nosso país. 

Limitação de mandatos nas autarquias, lá está políticos. Trezentas e tais leis orgânicas de ministérios e direcções. Políticos. Ou seja, se expurgarmos tudo o que esteja relacionado com a actividade dos políticos ou relacionada com a sua incompetência, resta muito pouco tempo ao serviço efectivo das populações. 

E já o disse aqui. Acho terrivelmente estranho que um grupo de três estrangeiros - a troika -  tenham conseguido delinear em quinze dias uma estratégia económico-financeira para o nosso país, que, apesar de sentida por todos, incluindo pelas populações, não tenha obtido vencimento de tanta gente a quem demos mandato e andámos a pagar todos estes anos e meses. 

Parecem-me pois uns inúteis, e quando trabalham fazem-no a maioria do tempo a regular-se  a si próprios.
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