Oportunidade perdida se não pactuarem

Medimo-nos a maioria das vezes pela normalidade e pela experiência comum para dar uma interpretação à realidade que antecipamos como a consensualmente aceite por todos. 

Um mecanismo da psicologia humana para evitarmos enquadramentos bizarros ou anacrónicos. 

E é normal admitir que um governo dum país quando mal governa venha no futuro a ser responsabilizado politicamente o que acontece também por norma nas eleições. 

Cai o mau governo, substituindo-o por um que pensamos ou desejamos que seja melhor que o anterior. Contudo os maus ventos que nos fustigam obrigará antes a juízos de anormalidade. 

Será talvez a primeira vez na história da república que não é um governo que pode falhar mas todo um povo. Nunca como hoje um governo como o actual é pré-concebida mente irresponsável, no sentido de que o futuro assacar-se-à ao mesmo e também a todos os demais intervenientes políticos. 


Ninguém está fora da jogada e ninguém pode tirar o cavalinho da chuva. É por isso que chamo oportunidade perdida a algum espectáculo dado por certas forças politicas que certamente por cegueira ainda se comportam nos moldes da por mim antes referida normalidade. 

E é também um colossal erro de estratégia politica. Passos Coelho foi hábil em querer ajudar Sócrates mesmo sabendo que anterior primeiro-ministro não queria ser ajudado. 

Nunca saberemos, a história o dirá, se o movimento "fraternizador" se fundava em genuíno auxilio, em cinismo politico, ou, apoiado no conhecimento real da situação financeira portuguesa, num verdadeiro sentimento de colaboração. 

Mas hoje sabemos que a situação é péssima. Os números da dívida pública "futura" avançados por organismos públicos e privados não são auspiciosos. 

Mandaria a inteligência e a boa estratégia que forças politicas oposicionistas se pusessem ao lado de quem tem os destinos do país na mão, que no caso actual é a força de coligação PSD-CDS. 

Tudo o resto, como sejam os discursos da limpeza de água no capote, ou nós não temos nada a ver com isto e a responsabilidade é dos outros que governam, ou até o nós dissemos que isto seria assim, não têm cabimento na "anormalidade" actual. 

Tarde verão que assim é. Tarde verão que a responsabilidade pertence a todos. A natureza das coisas reage mal à dissensão.
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