Otelo Saraiva de Carvalho

Este homem tem uma linguagem própria. Isso parece-me óbvio. Ouvi-lo falar, não é muito diferente de tentar interpretar um sherpa dos Himalaias ao mesmo tempo que uma pessoa se esforça por compreender o ambiente agreste que nos rodeia. 

É difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo. 

Olho para o ambiente e vejo-me obrigada a esquecer o sherpa. É também uma linguagem antiga, esquecida, como tivesse estado, o Otelo ou eu, não sei muito bem, numa máquina do tempo ou numa nave interestelar que de repente tivesse regressado ao planeta decorridos muitos anos e já não o reconhecesse. 

Em espaços-tempo diferentes ou galáxias diferentes, fico com aquela sensação do "He is watching me". No geral, pelos "políticos ditos responsáveis ou moderados" o homem é um pouco visto como uma criança desbocada, ou alguém que sofre duma espécie de variante de parkinson ou alzheimer e que diz umas coisas que é para ninguém ligar. 


Mas tentemos traduzir o homem. Sem precisões, ele diz que há situações em que o exército deve assumir a sua condição de protector do povo contra a opressão e libertá-lo nem que seja através de um golpe de estado. 

Num pais de brandos costumes, quem o ouve, eriça a pele, e pensa que uma situação dessas seria absurda mais a mais quando se vive hoje em democracia. 

Numa ditadura os brandos costumes eternizaram a opressão durante 40 anos. Quanto poderá durar se se tratar duma democracia falsa e também ela com potencial opressor. 

A opressão e o embuste tem sempre múltiplas faces. Porque não admitir-se (a solução não será um golpe de estado, mas uma revolução de mentalidades) que temos sido enganados, e que se calhar temos que voltar ao principio? 

Do que sei, e a história, tem muitos exemplos, é que há incompreendidos que só muitos anos após a nossa consciência os compreende. 

Os comprimentos de onda ás vezes estão dessincronizados ou passam entre si em momentos diferentes. E até as vozes dos loucos ás vezes importam. Não será?
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