PPP Parcerias Publico Privadas

Acho estranho que após 15 ou mais anos de PPP os nossos dirigentes em sentido lato tenham descoberto que vamos pagar não uma mas três pontes Vasco da Gama, para além de estarmos a pagar novamente a 25 de Abril. 

A Lusoponte é um pouco como ter uma Direcção Geral de Impostos encapotada. 

Entregamos os nossos impostos a esta e do que resta entregamos àquela. O tal principio do utilizador pagador é muito bonito, mas pensemos bem, quando o risco das PPP está subvertido e o Estado (ou seja os nossos impostos ou os subsídios que deixamos de receber) tem de se chegar à frente é bom de ver que tal principio é uma falácia. 

As concessionárias regem-se pelo principio do recebedor. Ou recebedores mínimos. Uma espécie de rendimento social de rendimento mínimo garantido. 

Entendo aquele principio do utilizador pagador na medida em que pago por usar uma infra-estrutura, tudo bem, mas no pressuposto de que não vou ser roubado nos meus impostos se por qualquer razão não a usar ou decidir usar. 

Porque senão é mais uma falácia económica e, com todo o respeito, uma traição. Quem usa, paga, mas como o risco está sobre os contribuintes, paga mais uma vez. Faça as contas. Por outro lado, entendo também o principio da solidariedade, de que contribuintes de Lisboa ou do Porto, zonas mais ricas, têm e devem concorrer no pagamento de vias rodoviárias de, por exemplo, transmontanos e bragantinos. 

Apenas porque são zonas do país se calhar menos privilegiadas, mais interiores, como se diz, mais esquecidas. 


Se o não fizéssemos provavelmente esses conterrâneos só teriam caminhos de cabras. O problema é quando também o principio da solidariedade é subvertido já que estamos não a colaborar com os nossos concidadãos, mas apenas com uma ínfima parte daqueles que estão sentados nos seus conselhos de administração em Lisboa a drenar-nos as forças vitais directamente para os seus bolsos. 

Na verdade não há almoços grátis. Se queremos todos uma auto-estrada, melhor seria a politica de condomínio. Se se quer arranjar o telhado ou o elevador e isso implica uma maior despesa, melhor será poupar para o fundo de condomínio. 

Se não há fundo resta então então colectar todos os condóminos num montante de quota superior para fazer face à despesa extraordinária. 

Bem ou mal, é o que nos está a acontecer agora. Se queremos viver aqui, nós condóminos portugueses, temos que nos colectar para pagar o que se deve. 

O problema é pagar ás sanguessuga e na altura em que ocorra nova despesa extraordinária, já não há fundo, nem há nada. Como será então?
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