Como os políticos desligam quando chegam ao poder

Alguns povos já descobriram que não podem deixar à solta os seus políticos durante toda uma legislatura. 

Quatro anos é pouco tempo para mudar uma cultura instalada, mas é tempo suficiente para destruir as bases do melhor que essa mesma cultura tem. 

Nem tudo é necessariamente mau. Muitos povos descobriram que ao longo desse caminho, a legitimidade dos políticos tem que ser testada, eventualmente reforçada ou mantida, ou pura e simplesmente anulada. 

Aproveitando a metáfora da nau catrineta, é o mesmo que se descobrir, já saída do porto e em pleno mar alto, que afinal o capitão é um incompetente. 

Manda o instinto de sobrevivência, que se escolha entre os demais tripulantes, o melhor para assumir o cargo, deitando, se necessário, o capitão ao mar. 

Pode ser um motim, e então seria irresponsável porque assente na ignorância dos subordinados contra a sabedoria e conhecimento da hierarquia, mas pode ser uma constatação realista e então legitima. 

Povos como o americano há muito se aperceberam disso e para o efeito têm instrumentos como o impecheament ou o recall (na California) para afastar elementos indesejáveis que atendem aos seus interesses esquecendo o interesse comum. 


É que sejamos sinceros, isto acontece com uma frequência que não seria desejável. Diz a voz do povo que quando eles chegam ao poleiro esquecem-se de nós. Eles aparecem por aí em época de eleições e depois nunca mais os vemos. 

E porque é dado ver, isto não é amotinação, é verificação corrente sempre que abrimos a televisão ou lemos os jornais. Os nossos representantes mal chegam ao cargo, seja de deputado, governante ou autarca esquecem-se do povo que o elegeu e do seu mandado e pronunciam-se, quase sempre, em seu nome e dos seus interesses. 

O cordão umbilical quebra-se, separa-se. O mandato, apesar de muitas das vezes ser desconhecido, ou o pouco conhecido ser omisso ou "prometido falso", possui termos pelo menos implícitos que mandam que se faça o melhor possível em nome do povo. 

Que não se façam estradas inúteis, só para engordar construtoras amigas e canalizar fundos dos contribuintes para gáudio e riqueza pessoal de alguns. Se não licenciem construções inestéticas e aberrantes, sem motivação real que não seja obter mais uns impostos, para prejuízo depressivo de toda uma população que as terá de passar a suportar. 

Que não se façam barragens para enriquecer bancos, construtoras e companhias eléctricas, que se demonstra terem um potencial destrutivo, não compensado pelos benefícios que delas advém. 

Que não se engane o povo. Mas o que vemos é pessoas a aproveitarem-se da ignorância, a agarrarem-se à demagogia, e a usarem dum modo ignominioso a boa vontade de todo um povo. 

Comecemos pelos autarcas, esses seres, importantes é certo, mas com características únicas em Portugal. Falam muito da pretendida reforma autárquica, mas quando ouvimos os sons a saírem-lhes da boca, não estão certamente a falar do seu povo. 

Para um cidadão minimamente inteligente é visível que o plano de estradas ou autoestradas em Portugal teria como consequência um país mais pequeno. 

É visível também que, no mundo em que vivemos, o tamanho importa. 

É necessário que os municípios tenham economias de escala, isso é evidente. É inaceitável que existam infra-estruturas num município sem uma economia sustentada e ao lado a uma centena de quilómetros uma estrutura semelhante esteja nas mesmas condições. 

Poder-se-ia aventar que há as associações de municípios, há as regiões, ou há orgânicas de outra natureza. 

Pode-se também aventar que há a componente histórica e tradicional das populações que se arreigaram à sua terra. Bem, mudanças já as houve no passado, e o povo, como agora, teve de escolher entre a tradição ou a miséria de terem mais impostos, menos rendimentos. 

Porque não haja dúvidas. Ter mais municípios, mais câmaras ou freguesias, custa muito dinheiro, que sai sempre do mesmo sitio, os bolsos dos contribuintes.  
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